sábado, 17 de setembro de 2011

SEM ESTRELAS


- Ah, escrevi um texto pra ti.
- Sério? Me mostra!
- Aqui. (tira do bolso da camisa – embora moleque, coisa de homem com data de nascimento antiga – o papel amassado)
                Ela o lê.

“Você é um pedacinho
De cada coisa boa no mundo
Que vem tal aquele gosto de infância
Que deixa saudade ao partir

É aquela estrela de que fala a música

Quando sentir minha falta
E quiser me achar
Siga a trilha de corações
Que rabisquei no céu”

                Ela nada diz. Dobra o papel e o devolve.

- Não gostou?
- Gostei. Muito. Mas poesia não é pra mim. Minha vida não tem poesia.

                E foi embora, deixando atrás de si a trilha das suas sandálias de borracha. 

terça-feira, 6 de setembro de 2011

PRESENÇA


É um calor.
É uma presença flamejante.
É pedaço de fogo oscilante que vem e vai
E vem
E vai.
Tamanha é a presença ardente, me transmuto em brasa
 - Nem água me apaga.
De mim nem cabelos restam,
As roupas menos ainda.
É o meio-dia.
É a carvoaria por dentro e por fora.
Quanto mais mentira, mais fogo.
Consome a mentira e mais lenha há nesta fogueira.
É a presença luminosa.
A tua presença luminosa.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Fresta

O raio de sol entra por uma fresta.
É uma lâmina cortando a sombra.
A poeira se ilumina, dançando sua dança confusa.
Pela fresta entram também o ar e o som.
Ar, som.
Raio de sol.

sábado, 28 de maio de 2011

Dia de integração entre família e escola em Marabá.

Participei, como voluntário, das atividades realizadas na fl 12. Foi lindo. Brevemente voltarei a tocar no assunto.



sábado, 21 de maio de 2011

Tua janela

Paro diante
De uma janela fechada.
Diante da tua janela fechada.
O que se passa na paisagem escondida
Atrás das franjas de madeira
E daquela lâmpada apagada?
São azuis as paredes externas
Da tua casa de janela fechada.
Serão azuis as paredes de dentro do quarto
Com a luz apagada?
Desde a minha chegada vejo o teu rosto
Refletido nas paredes azuis
Da tua casa de janela fechada.

sexta-feira, 18 de março de 2011

ANIVERSÁRIO

- O que é isto?

- Uma flor.

- Mas é seu aniversário, por que me dá um presente?

- É pelos teus olhos tristes.

- Não entendi.

- A flor é para não seres triste. Tem cuidado com ela: se chorares, ela se desfará, pois é de papel.

sexta-feira, 4 de março de 2011

SOBRE O NÃO-RISO

Hoje canto para o teu desamor.

Eu, que setecentas vezes te avisei

Do perigo de correr com os pés nus

Sobre as pedras que não eram pedras

Queria rir, mas não posso.

Não bati tambor anunciando a tua queda.

Não rio da tua cara esborrachada.

Apesar da queda,

Levanto-te e te lavo

E te deixo chorar por sobre os ossos do meu ombro tolo.

Mesmo sabendo que os olhos perderão o inchaço.

Mesmo sabendo que partirás sem as sandálias que te dei,

Para caíres de cara novamente.