segunda-feira, 17 de outubro de 2011
PRIMEIRO POEMA SOBRE A MENTIRA
Quando quiseres enganar alguém,
Não dê a entender que não enganas.
Deixa habilmente o vapor do teu veneno escapar
pelas pequenas frestas entre dentes
- este veneno é a ilusão. É o torpor da poesia de quem mente.
É como o sol a iluminar e cegar no mesmo rastro.
A mentira esconde-se detrás de uma parede de papel.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
DOUBLE TROUBLE
Double
trouble. Ironicamente, era a música tocada no aparelho de som do carro, quando tocou
seu telefone.
-
Alô.
-
Já tá chegando?
-
Onde?
-
Você não marcou comigo, criatura?
- É
mesmo. Já tá aí?
-
Qualquer lugar em que eu esteja é aqui, para mim.
-
Você entendeu. Espera, tem uma outra chamada aqui. Alô.
-
Você não vem mais?
-
Sim, vou sim, só estou resolvendo um problema, mas chegarei em vinte minutos ou
menos.
- Não
demore.
-
Oi, voltei.
-
Onde a gente marcou mesmo?
- No
posto de gasolina. Deixo o meu carro aqui e vamos no seu.
-
Em que posto mesmo? Espera, outra chamada aqui.
-
Estou com pressa, você não vem?
-
Vou, vou sim. Onde marcamos mesmo?
-
Na frente da casa da minha vizinha, que é para não gerar suspeitas.
-
Ok.
- Não
demore.
-
Alô, voltei. Em que posto você está?
-
Posto? Não tô em posto nenhum, tô em casa.
-
Ok, ok. Tô indo praí.
-
Não, não vem. Não tem como a gente se ver agora. Liguei pra avisar.
-
Tá, tá.
-
Oi, alô.
- O
frentista já veio aqui umas duzentas vezes perguntar se quero álcool ou
gasolina.
-
Já combinou com a tua vizinha?
-
Que vizinha?
- Nada, estou ficando doido. Já estou a caminho.
Só atender um telefonema aqui.
- A
vizinha perguntou se você pode passar na loja de conveniência do posto e
comprar sorvete pro filho dela.
-
Claro, claro. Comum ou aditivado?
-
Hã?
-
Já estou a caminho. Alô, estou de volta.
-
Tudo bem. Está com as flores?
- Que
flores?
-
Esqueceu que vamos a um velório?
***
sábado, 17 de setembro de 2011
SEM ESTRELAS
- Ah, escrevi um texto pra ti.
- Sério? Me mostra!
- Aqui. (tira do bolso da camisa – embora moleque, coisa de
homem com data de nascimento antiga – o papel amassado)
Ela o lê.
“Você é um pedacinho
De cada coisa boa no mundo
Que vem tal aquele gosto de infância
Que deixa saudade ao partir
É aquela estrela de que fala a música
Quando sentir minha falta
E quiser me achar
Siga a trilha de corações
Que rabisquei no céu”
Ela
nada diz. Dobra o papel e o devolve.
- Não gostou?
- Gostei. Muito. Mas poesia não é pra mim. Minha vida não
tem poesia.
E foi
embora, deixando atrás de si a trilha das suas sandálias de borracha.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
PRESENÇA
É um calor.
É uma presença flamejante.
É pedaço de fogo oscilante que vem e vai
E vem
E vai.
Tamanha é a presença ardente, me transmuto em brasa
- Nem água me apaga.
De mim nem cabelos restam,
As roupas menos ainda.
É o meio-dia.
É a carvoaria por dentro e por fora.
Quanto mais mentira, mais fogo.
Consome a mentira e mais lenha há nesta fogueira.
É a presença luminosa.
A tua presença luminosa.
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Fresta
O raio de sol entra por uma fresta.
É uma lâmina cortando a sombra.
A poeira se ilumina, dançando sua dança confusa.
Pela fresta entram também o ar e o som.
Ar, som.
Raio de sol.
sábado, 28 de maio de 2011
Dia de integração entre família e escola em Marabá.
Participei, como voluntário, das atividades realizadas na fl 12. Foi lindo. Brevemente voltarei a tocar no assunto.
sábado, 21 de maio de 2011
Tua janela
Paro diante
De uma janela fechada.
Diante da tua janela fechada.
O que se passa na paisagem escondida
Atrás das franjas de madeira
E daquela lâmpada apagada?
São azuis as paredes externas
Da tua casa de janela fechada.
Serão azuis as paredes de dentro do quarto
Com a luz apagada?
Desde a minha chegada vejo o teu rosto
Refletido nas paredes azuis
Da tua casa de janela fechada.
De uma janela fechada.
Diante da tua janela fechada.
O que se passa na paisagem escondida
Atrás das franjas de madeira
E daquela lâmpada apagada?
São azuis as paredes externas
Da tua casa de janela fechada.
Serão azuis as paredes de dentro do quarto
Com a luz apagada?
Desde a minha chegada vejo o teu rosto
Refletido nas paredes azuis
Da tua casa de janela fechada.
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